Durante décadas, a imagem social do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade foi construída em torno de um personagem bastante específico: um menino inquieto, impulsivo, barulhento, com dificuldades escolares e comportamentos que rapidamente chamavam a atenção de professores e familiares.
Essa imagem não é inteiramente falsa. Ela representa uma das formas possíveis de apresentação do TDAH. O problema começa quando uma apresentação parcial é transformada na imagem universal do transtorno. Muitas meninas e mulheres não apresentam uma hiperatividade corporal evidente. Elas podem demonstrar mais desatenção, devaneios, desorganização, esquecimento, dificuldade para iniciar tarefas, instabilidade no desempenho e sobrecarga emocional. Como não interrompem a aula, não desafiam abertamente os professores ou não provocam conflitos tão visíveis, suas dificuldades podem permanecer silenciosas durante anos. O sofrimento existe, mas não incomoda suficientemente o ambiente para produzir investigação.
Esse é um dos pontos centrais do estudo publicado por Kelly e colaboradores em 2026 no Journal of Attention Disorders. Os pesquisadores exploraram as experiências de mulheres que receberam o diagnóstico de TDAH apenas na vida adulta, procurando compreender como o diagnóstico tardio modificou a forma como elas percebiam sua identidade, sua trajetória e suas dificuldades.
O que o estudo investigou
O trabalho utilizou uma metodologia qualitativa baseada em entrevistas semiestruturadas e análise temática reflexiva. Participaram 12 mulheres com idades entre 45 e 58 anos. A média de idade no momento do diagnóstico foi de aproximadamente 49 anos.
O objetivo não era calcular a prevalência do TDAH feminino nem comparar a eficácia de tratamentos. O estudo procurou acessar a experiência vivida dessas mulheres: como perceberam a possibilidade de ter TDAH, quais obstáculos enfrentaram, como haviam interpretado anteriormente seus sintomas e o que mudou após o diagnóstico.
A análise identificou três grandes temas: a descoberta do TDAH e a revelação de dificuldades anteriormente ocultas; as tempestades emocionais associadas ao transtorno; e a experiência de viver com TDAH e reinterpretar determinadas características pessoais. Os relatos mostraram um percurso que ia da incompreensão e do estigma à validação, à aceitação e à reconstrução da própria narrativa.
É importante compreender que esse tipo de pesquisa não pretende afirmar que todas as mulheres com TDAH terão a mesma experiência. Estudos qualitativos aprofundam narrativas e significados. Eles mostram como determinadas pessoas vivenciam um fenômeno, mas não permitem estimar quantas mulheres apresentarão cada característica. Ainda assim, justamente por escutar detalhadamente quem viveu décadas sem uma explicação adequada, o estudo revela aspectos que questionários e escalas nem sempre conseguem alcançar.
Diagnóstico tardio não significa início tardio
Receber o diagnóstico de TDAH na vida adulta não significa que o transtorno tenha surgido subitamente aos 40 ou 50 anos. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. Os critérios diagnósticos exigem que os sintomas ou manifestações relacionadas ao transtorno tenham estado presentes desde o desenvolvimento, ainda que não tenham sido reconhecidos, documentados ou corretamente interpretados durante a infância.
Essa distinção é essencial. A mulher não desenvolveu TDAH porque entrou na menopausa, porque passou a trabalhar mais, porque teve filhos ou porque começou a enfrentar responsabilidades mais complexas. O que pode acontecer é que as estratégias utilizadas durante anos deixem de ser suficientes quando as exigências da vida aumentam. Além disso, mudanças hormonais, privação de sono, sobrecarga familiar, demandas profissionais e condições psiquiátricas associadas podem tornar mais visível uma vulnerabilidade que já existia.
Os próprios autores lembram que os sistemas classificatórios exigem evidências de sintomas na infância, embora essas manifestações possam ter sido ignoradas, atribuídas à personalidade ou mascaradas anteriormente.
Quando a dificuldade funcional se transforma em culpa moral
Uma das consequências mais importantes do diagnóstico não reconhecido é a transformação de dificuldades funcionais em julgamentos morais. Uma mulher que perde objetos, esquece compromissos, acumula tarefas, não consegue manter sistemas de organização ou alterna períodos de desempenho intenso com fases de paralisação raramente pensa espontaneamente: “Tenho dificuldades persistentes de memória de trabalho, organização, priorização e regulação do comportamento.” Ela pensa: “Eu sou desorganizada.” “Eu não tenho disciplina.” “Eu estrago tudo.” “Todo mundo consegue, menos eu.” “Talvez eu seja incapaz.”
Quando não existe uma explicação coerente para um padrão de funcionamento, a pessoa acaba explicando esse padrão por meio de defeitos de caráter. Ao longo dos anos, a desorganização deixa de ser uma dificuldade e passa a ser uma identidade. A procrastinação deixa de ser um fenômeno relacionado à iniciação, à motivação ou à regulação executiva e passa a ser interpretada como preguiça. A instabilidade do desempenho vira falta de comprometimento. A intensidade emocional vira exagero.
No estudo, as participantes relataram vergonha, autocriticismo, inadequação e sentimentos de fracasso associados às dificuldades cotidianas. Algumas utilizavam expressões depreciativas para descrever a própria desorganização, demonstrando como o estigma social havia sido incorporado à maneira como percebiam a si mesmas.
O diagnóstico não elimina automaticamente esses sentimentos. Entretanto, ele pode oferecer uma nova estrutura para compreendê-los. Não se trata de transformar o diagnóstico em desculpa universal. Trata-se de substituir uma explicação moralista por uma explicação clínica que permita responsabilidade, tratamento e mudança.
Ansiedade e depressão podem coexistir com o TDAH
Muitas mulheres do estudo haviam sido anteriormente avaliadas ou tratadas por ansiedade e depressão. Esse dado precisa ser interpretado com cuidado. Não significa que todo diagnóstico de ansiedade ou depressão em mulheres esteja errado. TDAH, transtornos ansiosos e transtornos depressivos podem coexistir. Uma mulher pode apresentar TDAH e depressão, TDAH e ansiedade ou diferentes combinações de condições clínicas.
O problema ocorre quando ansiedade e depressão são utilizadas para explicar toda a história da paciente, sem que sejam investigadas dificuldades executivas persistentes desde o desenvolvimento. Uma mulher pode sentir ansiedade porque passa o dia tentando impedir que sua rotina desmorone. Pode desenvolver sintomas depressivos após anos de fracassos percebidos, críticas, conflitos, instabilidade ocupacional ou sensação de não conseguir transformar capacidade em desempenho consistente.
Em alguns casos, portanto, a ansiedade e a depressão podem ser comorbidades. Em outros, podem representar consequências acumuladas de um TDAH não reconhecido. Também podem existir independentemente do transtorno. A boa avaliação clínica não escolhe precipitadamente uma dessas possibilidades. Ela reconstrói a linha do tempo. É necessário perguntar quando surgiram as dificuldades de atenção, organização e autorregulação, como era o funcionamento escolar, quais estratégias compensatórias foram desenvolvidas, em quais contextos os sintomas aparecem e qual é o impacto funcional real.
Os autores defendem que a possibilidade de TDAH seja considerada especialmente quando mulheres apresentam quadros ansiosos ou depressivos recorrentes, persistentes ou com resposta insatisfatória, principalmente quando existem evidências de dificuldades executivas anteriores.
Mascaramento: a competência que ninguém sabe quanto custa
Uma pessoa pode parecer funcional e, ainda assim, estar pagando um preço psicológico enorme para manter essa aparência. Muitas mulheres desenvolvem formas sofisticadas de compensação. Criam listas para as listas. Conferem repetidamente compromissos. Chegam muito cedo porque não confiam na própria percepção do tempo. Trabalham durante a madrugada para compensar uma tarde improdutiva. Ensaiam conversas, controlam o que dizem, observam continuamente a reação das outras pessoas e tentam esconder impulsividade, distração ou intensidade emocional.
Esse processo é frequentemente chamado de mascaramento. O mascaramento pode ser adaptativo em determinadas situações. Ele pode ajudar a pessoa a cumprir obrigações e navegar por ambientes sociais ou profissionais. Porém, quando a vida inteira se torna um esforço para parecer naturalmente capaz de fazer aquilo que exige energia extraordinária, o custo aparece.
As participantes descreveram esforços para parecer mais organizadas, socialmente adequadas e emocionalmente controladas. O estudo relaciona essa vigilância constante à exaustão, fadiga, diminuição da autoaceitação e burnout.
O paradoxo é cruel. Quanto melhor uma mulher consegue esconder suas dificuldades, menor pode ser a probabilidade de alguém perceber que ela precisa de ajuda. O sucesso aparente se transforma em argumento contra o diagnóstico: “Mas você estudou.” “Mas você trabalha.” “Mas você cuida da sua família.” “Mas você sempre parece tão organizada.” A pergunta clínica adequada não é apenas se a pessoa consegue realizar determinada tarefa. É necessário perguntar quanto esforço, sofrimento, tempo e energia ela precisa mobilizar para conseguir realizá-la.
Emoções intensas e sensibilidade à rejeição
Outro tema importante no estudo foi a experiência de emoções intensas, dificuldade para modular reações e sensibilidade acentuada a críticas ou rejeição. A desregulação emocional não aparece como critério central de TDAH nos principais sistemas classificatórios, mas é frequentemente relatada por adultos com o transtorno e pode produzir prejuízo funcional significativo.
Algumas mulheres descrevem mudanças emocionais rápidas, dificuldade para interromper a ruminação, reações desproporcionais a contrariedades e um impacto intenso de sinais reais ou percebidos de desaprovação. Entretanto, é importante não transformar toda experiência emocional em manifestação automática de TDAH. Desregulação emocional, sensibilidade interpessoal e reatividade podem aparecer em diferentes condições psiquiátricas, além de ocorrerem em pessoas sem transtorno mental.
O papel do clínico é compreender a fenomenologia, a duração, os desencadeantes, a relação com outros sintomas e a trajetória ao longo do desenvolvimento. O valor do estudo está em mostrar que, para as participantes, as dificuldades emocionais eram parte central do sofrimento, mesmo quando os modelos tradicionais de TDAH enfatizavam apenas atenção, hiperatividade e impulsividade.
Hormônios, ciclo de vida e funcionamento cognitivo
As participantes também relataram mudanças na intensidade dos sintomas e na percepção de eficácia da medicação associadas às flutuações hormonais. Algumas descreveram piora de desatenção, lentificação cognitiva, dificuldades executivas e instabilidade emocional em determinadas fases do ciclo menstrual, na perimenopausa ou na menopausa. O artigo sugere que a avaliação e o acompanhamento de mulheres com TDAH precisam considerar o ciclo de vida hormonal.
Esse ponto é clinicamente relevante, mas exige prudência. O estudo não realizou dosagens hormonais, não confirmou clinicamente o estágio reprodutivo das participantes e não foi desenhado para testar ajustes farmacológicos. As informações hormonais foram autorrelatadas. Portanto, os relatos não autorizam a criação de regras universais de alteração de dose segundo a fase do ciclo, muito menos mudanças feitas pela própria paciente.
Eles mostram outra coisa: quando uma mulher relata variações consistentes de sintomas ou resposta ao tratamento associadas ao ciclo menstrual, à perimenopausa ou à menopausa, essa experiência não deve ser descartada como impressão irrelevante. Ela merece registro longitudinal, avaliação clínica e discussão individualizada. Os próprios autores reconhecem que o estado perimenopausal não foi confirmado por avaliação hormonal ou critérios padronizados, podendo ter sido confundido com outras transições relacionadas à idade.
Hiperfoco: potência, dificuldade ou as duas coisas?
Um dos elementos mais chamativos do artigo é a maneira como algumas participantes descreveram o hiperfoco como uma espécie de “superpoder”. Elas relataram capacidade de mergulhar profundamente em assuntos de interesse, produzir rapidamente, fazer conexões criativas e sustentar atenção intensa em determinadas atividades. Essa percepção é legítima e ajuda a romper com uma visão exclusivamente deficitária do TDAH.
Pessoas com o transtorno não são uma coleção de prejuízos. Elas possuem talentos, competências e formas particulares de se relacionar com tarefas, interesses e recompensas. Entretanto, o termo “superpoder” precisa ser usado com cuidado. O hiperfoco não integra os critérios diagnósticos formais do TDAH. Também não ocorre em todas as pessoas com o transtorno e pode ser observado em indivíduos sem TDAH, especialmente em experiências próximas ao estado de fluxo.
Além disso, a atenção intensa nem sempre está sob controle voluntário. Uma pessoa pode permanecer horas em uma atividade interessante e, simultaneamente, ser incapaz de iniciar uma tarefa simples, urgente e pouco estimulante. Pode perceber que está ignorando outras responsabilidades, mas não conseguir se desengajar. Pode perder a noção do tempo, atrasar refeições, compromissos e sono.
Por isso, hiperfoco não significa simplesmente “boa concentração”. O ponto central do TDAH não é a ausência absoluta de atenção. É a dificuldade de regular a atenção de acordo com objetivos, prioridades e consequências. Quando bem direcionado, o hiperfoco pode favorecer aprendizagem, criatividade e produtividade. Quando se transforma em aprisionamento atencional, pode ampliar dificuldades de transição, organização e gerenciamento do tempo. É potência e risco. O cérebro, como sempre, se recusa a caber em slogans de camiseta.
O diagnóstico não muda o passado, mas muda sua interpretação
Para muitas participantes, receber o diagnóstico foi uma experiência profundamente validante. O diagnóstico ofereceu uma explicação para comportamentos que antes eram interpretados como falhas pessoais. Permitiu compreender por que o cérebro parecia permanentemente ativo, por que seguir instruções era difícil, por que a organização exigia tanto esforço e por que determinados padrões se repetiam desde o desenvolvimento.
Essa mudança de perspectiva pode favorecer autocompaixão. Autocompaixão não significa desistir de mudar. Significa abandonar a ideia de que a humilhação interna é uma técnica terapêutica. A pessoa pode assumir responsabilidade por seus comportamentos sem concluir que é moralmente defeituosa. Pode construir estratégias, buscar tratamento, reparar prejuízos e modificar padrões sem precisar se odiar para isso.
O diagnóstico adequado substitui uma pergunta destrutiva — “O que há de errado comigo?” — por uma pergunta clinicamente mais útil: “Como funciona o meu cérebro, quais são minhas dificuldades e quais estratégias podem me ajudar?” As participantes relataram alívio, validação, maior compreensão da própria trajetória e possibilidade de reconstruir sua identidade de maneira menos estigmatizada.
O que o estudo não permite concluir
Todo estudo precisa ser lido tanto pelo que mostra quanto pelo que não consegue demonstrar. A amostra foi pequena e composta exclusivamente por mulheres brancas, o que limita a transferência dos achados para populações étnicas, culturais e socioeconômicas diferentes. As participantes foram recrutadas principalmente em um grupo de mídia social sobre TDAH, o que pode ter selecionado mulheres mais informadas, engajadas ou identificadas com determinadas narrativas sobre o transtorno.
Os diagnósticos foram autorrelatados e não passaram por confirmação clínica independente pelos pesquisadores. Os relatos eram retrospectivos. Depois de receber um diagnóstico, é natural que a pessoa reorganize e reinterprete memórias anteriores a partir dessa nova explicação. Isso não invalida a experiência, mas pode influenciar a maneira como o passado é reconstruído.
Além disso, a análise temática reflexiva reconhece que o pesquisador participa ativamente da construção e interpretação dos temas. Os resultados não são uma reprodução neutra dos relatos, mas uma leitura sistematizada produzida a partir deles. Essas limitações foram reconhecidas pelos próprios autores.
Portanto, o estudo não prova que todas as mulheres com ansiedade ou depressão tenham TDAH, não demonstra que o hiperfoco seja uma característica exclusiva do transtorno e não estabelece protocolos farmacológicos baseados em fases hormonais. Ele oferece algo diferente e igualmente valioso: uma descrição aprofundada de como um grupo de mulheres vivenciou o diagnóstico tardio e reorganizou a própria história a partir dele.
Uma avaliação verdadeiramente sensível às mulheres
Uma avaliação adequada do TDAH em mulheres não pode se limitar à pergunta: “Ela era hiperativa na escola?” É necessário investigar desatenção, devaneio, procrastinação, dificuldade de iniciação, memória de trabalho, organização, impulsividade verbal, regulação emocional, padrões de sono, funcionamento acadêmico e profissional, relações interpessoais e estratégias de compensação.
Também é necessário perguntar sobre o custo do funcionamento aparente. Quantas horas extras são necessárias para produzir o mesmo resultado? Quantas tarefas são concluídas apenas em situações de urgência? Quanto da organização depende de ansiedade? Quanto esforço é gasto tentando parecer calma, atenta e emocionalmente controlada? Quais dificuldades já existiam antes do surgimento de sintomas depressivos ou ansiosos?
Uma avaliação sensível ao gênero não significa reduzir todas as mulheres a uma apresentação única. Significa reconhecer que expectativas sociais, padrões de encaminhamento, formas de expressão dos sintomas e estratégias de mascaramento podem influenciar quem é identificado e quem permanece invisível. Os autores defendem avaliações mais inclusivas, identificação precoce e tratamentos colaborativos que considerem a diversidade das apresentações femininas ao longo da vida.
Diagnosticar não é rotular
Existe um receio compreensível de que o diagnóstico transforme experiências humanas em rótulos. Um diagnóstico mal realizado realmente pode fazer isso. Pode simplificar uma história complexa, ignorar diagnósticos diferenciais e transformar uma hipótese clínica em identidade rígida. Mas o diagnóstico cuidadoso faz o movimento contrário. Ele não reduz a pessoa ao transtorno. Ele organiza informações, diferencia mecanismos, reconhece prejuízos e permite que o tratamento seja direcionado.
Para muitas mulheres, o verdadeiro peso não começou com o diagnóstico de TDAH. Começou muito antes, com os rótulos de preguiçosa, desorganizada, desinteressada, dramática, irresponsável ou incapaz. O diagnóstico não precisa criar uma identidade. Ele pode retirar uma condenação moral.
E talvez essa seja a mensagem mais importante do estudo: compreender o TDAH em mulheres exige olhar não apenas para os sintomas visíveis, mas para o esforço invisível, as estratégias de sobrevivência e o custo emocional de passar uma vida tentando funcionar sem compreender o próprio funcionamento.
Referência bibliográfica
Kelly T, May B, Porter CN, Palace M. Exploring Women’s Experiences of a Late ADHD Diagnosis: Unveiling a Personal Superpower Through Reflexive Thematic Analysis. Journal of Attention Disorders. 2026. DOI: 10.1177/10870547261469625.